Zé Augusto da Farmácia, uma lenda viva!

- Tiago Souza Gois - - 30 de Abril de 2014 | - 11:47 - - Home » 2ª Edição» Mais Glória - - Sem Comentários
Zé Augusto em sua residência

Zé Augusto em sua residência

Aos 16 dias do mês de julho de 1937, em solo portofolhense, sertão sergipano, nasce uma figura importante para o desenvolvimento da capital do sertão (Nossa Senhora da Glória): José Augusto da Costa Vieira, ou simplesmente Zé Augusto da Farmácia, como é conhecido e admirado por todos.
Recebe, desde cedo, de seus pais, os saudosos Laudelino e Antônia Rosa, uma educação que lhe rendera bons frutos em toda a sua caminhada.
Aos vinte anos, no limiar dos “anos dourados”, como todo jovem, sonha com sua deusa e casa-se com a jovem Aidil de Santana Vieira, que lhe deu 11 filhos.

Ainda no brilho dos vinte anos, é admitido no DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca) e, por habilidades práticas provenientes da prestação de serviço na farmácia de familiares, passa a assumir o posto de enfermeiro, onde ficou até a sua aposentadoria em 1984.
A saúde foi sua área de maior destaque, pois com a escassez de profissionais nesta região, restavam para a população duas opções: automedicar-se com ervas naturais ou procurar o auxilio de Zé Augusto, principal referência dos que necessitavam de cuidados médicos àquela época.
Imbuído de espírito caridoso, não negava seus préstimos a quem deles necessitava, chegando até a efetuar partos, entre eles o da sua filha Rosa, momento marcante me sua vida.

Zé Augusto e sua esposa

Zé Augusto e sua esposa

Após aposentar-se, abriu uma farmácia ao lado de sua residência, onde por muito tempo serviu à comunidade local e adjacências. A prática desses serviços, entretanto, rendeu-lhe um processo judicial, por exercício ilegal da medicina, movido por seus opositores políticos; mas foi inocentado pelos pacientes, haja vista a boa-fé, a dedicação e, sobretudo, o elevado grau de êxito nessa atividade. Pela grande contribuição em diversas áreas, entrou no cenário político, onde, mais uma vez, obteve sucesso, sendo eleito vereador por duas legislaturas. Quando Presidente da Câmara, no ápice da ditadura militar, seu pensamento esquerdista o levou a sofrer perseguições políticas, chegando a ser transferido para outra cidade.

A sede de conhecimento e a vontade de contribuir para o desenvolvimento do município levaram-no a ser professor de Física, Biologia e Química, no Colégio Estadual Cícero Bezerra, mesmo sem formação acadêmica. Estendendo sua contribuição para o esporte, foi sócio-fundador do Glória Futebol Clube e do extinto Botafogo Futebol Clube, onde se revelaram vários jogadores que vieram a brilhar no cenário esportivo sergipano. Sua generosidade, humildade e amor ao próximo se identificaram com a doutrina espírita, de que foi um dos precursores na região, dirigindo o Grupo Espírita Seguidores de Cristo.

Sua dignidade e honestidade levaram-no a ser vitimado por um forte choque que mudou significantemente sua trajetória. Induzido a erro na compra de um veículo, descobriu-se que este fora roubado. Não admitindo prática criminosa perante a sociedade; mesmo inocente, o impacto emocional lhe causou um AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Hoje, sob os cuidados e carinho de sua esposa, filhos, netos e amigos; revive, afônico e “cadeirante”, o seu passado de glórias.
Emociona-se ao ser visitado por pessoas que tiveram importância na sua vida, tentando falar e ser traído por suas limitações físicas; e amargando as dores da imobilidade numa viagem contínua sobre as saudosas imagens de um passado inesquecível.

Tiago Souza Gois

Por: Tiago Souza Gois

Jornalista do Portal e Revista Mais Glória,
comentarista esportivo do Programa
Giro Esportivo da FM Boca da Mata,
sócio da empresa Eníum Interativa e
acadêmico do curso de Licenciatura em
Educação Fisica (ESTÁCIO-FASE)

Enium Interativa Criação de sites

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