Urbanização, crescimento e desenvolvimento das cidades

- Edson Magalhães Bastos Júnior. - - 15 de Abril de 2014 | - 11:49 - - Home » 1ª Edição» Mais Glória» Meio Ambiente - - Sem Comentários

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Assim como em todos os aglomerados humanos espalhados pelo mundo con­temporâneo, desde as megalópoles e metrópoles internacionais como Osaka­-Tokio (Japão), NewYork-Filadéfia-Baltimore (Estados Unidos), ou Rio-São Paulo (Brasil) até as cidades de pequeno porte, a urbanização representa um dos fenômenos mais complexos da sociedade moderna.

A cidade se impõe como o símbolo de desenvolvimento e de progresso da civiliza­ção, em oposição ao meio rural, considerado no imaginário popular como atrasado e pri­mitivo. Crescem em todas as suas dimensões: na expansão das áreas residenciais, no sur­gimento de novas áreas comerciais, na ampliação dos distritos industriais, na mudança do grau de uso e ocupação (como por exemplo, áreas residenciais que passam a se tornar comerciais, pela pressão da atividade econômica). Cresce o contingente populacional, a frota de veículos, as redes de infraestrutura para distribuição de água, saneamento bási­co, energia elétrica, telefonia e acesso à internet, dentre outras.

Entretanto, quase sempre acabamos ficando apenas com um lado da moeda. A urbanização tem muitas dimensões e é importante percebermos que ela não é contro­lada pelas forças da natureza. As leis que regem a urbanização não são as mesmas que explicam o clima e o relevo, não se constituindo, portanto, um fenômeno natural. Esse processo é conduzido e sustentado por atores humanos, grupos e organizações de po­der político e econômico e a própria sociedade. Na ciência geográfica são conhecidos como agentes produtores do espaço urbano e influenciam diretamente o processo de crescimento das cidades, segundo um conjunto de interesses que nem (ou quase) sempre representam um crescimento na qualidade de vida dos cidadãos e na promoção do bem estar social tão propagado no discurso do desenvolvimento.

O desenvolvimento pleno da cidade deve considerar as dimensões social, econômi­ca, cultural e ambiental, e deve conferir aos cidadãos o que os cientistas sociais denomi­nam de Direito à Cidade, que, de modo bem simplório, está relacionado ao desenvolvi­mento da consciência cidadã para decidir junto com os representantes governamentais, sobre o destino da cidade. Afinal de contas, para conhecer o outro lado da moeda da urbanização, basta observarmos os índices de violência nas grandes cidades, os proble­mas ambientais e de saúde pública, o crescimento de zonas ou bolsões de pobreza, que dispõe de pouca ou nenhuma cobertura de serviços básicos, ferindo o que dispõe a pró­pria Constituição Federal sobre os direitos fundamentais do indivíduo.

A cidade cresce seguindo a lógica da especulação imobiliária, dos interesses de gru­pos econômicos, mantendo a população absolutamente alijada do processo, conduzida como massa humana num joguete que beneficia poucos em detrimento da maioria. É desta forma que áreas ambientalmente frágeis são ocupadas sem nenhum tipo de restri­ção, produzindo catástrofes e traumas sociais anunciados.

Quanto vale um lote urbano em uma área de expansão? E em uma área central? Quanto vale abrir novas vias que conduzem a esses novos loteamentos? Agora precisa­mos nos perguntar: quanto vale as vidas das populações que habitam áreas am­bientalmente e socialmente precárias? Quanto vale a degradação dos rios, seja pela destruição de seu curso com o ater­ramento para criação de lotes e vias de acesso público, seja pelo descarte de vo­lumes de esgotamento sanitário em rios e mananciais de água? Quanto vale a au­sência dos cientistas de todas as áreas e da população em geral discutindo o pla­nejamento urbano e pensando o futuro da cidade? Fico me perguntando quais serão os próximos eventos desse fenôme­no “natural(izado)”. Qual será o papel do poder público nesse processo? E o nosso? Qual será? Pensemos.

Edson Magalhães Bastos Júnior.

Por: Edson Magalhães Bastos Júnior

Graduado em Geografia Licenciatura (2003) e Geografia Bacharelado (2006) pela Universidade Federal de Sergipe e Especialista em Geotecnologias pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Sergipe (2007). Atualmente é Técnico em Reforma e Desenvolvimento Agrário, no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, em Sergipe. Ademais, desenvolve atividades na área de Geotecnologias, nos seguintes eixos: Cartografia Digital, Sensoriamento Remoto, GIS e WebGIS (Webmapping). Atualmente coordena a Diretoria de Geografia e Cartografia da Superintendência de Estudos e Pesquisas, na Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (SEPLAG/SE). Participa do Grupo Espírita Luz e Caridade, de Nossa Senhora da Glória, estuda música, Flauta Transversal, ama Rosana e sua princesa, Hannah.

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