Uma breve história recente sobre a moda brasileira

- Mariana Ramalho Zappa - - 27 de Maio de 2014 | - 2:53 - - Home » 6ª Edição» Mais Glória» Moda - - Sem Comentários

 Se Paris e Milão são secular­mente conhecidas por sua tradição de alta costura e por suas semanas de moda, o Brasil é ainda uma criança no que­sito. Como um país jovem, de longa história colonial, influência externa e industrialização tardia, uma moda genuinamente nacional demorou a estabelecer-se no país.

revista-moda-fotosDentro de uma trajetória histó­rica, é possível estabelecer o princí­pio “desfiles”, no fim da década de 1940 e início da década de 1950 com as exibições na Casa Canadá, no Rio de Janeiro, que por mais que recrias­se modelos de vestimenta europeus, difíceis de exportar, se autointitulava uma Maison brasileira. Foi nesse mes­mo caminho que seguiram os costu­reiros Dener e Clodovil Hernandez nos anos seguintes, alçaram a condição de costureiro a algo que a profissão não conhecia antes, o estrelato. Promove­ram inúmeros desfiles, mas reprodu­ziam apenas o que vinha de fora. Só no auge da ditadura, uma moda parecia nascer de dentro do sincretismo étni­co, religioso e cultural, do caldeirão de influências tropicais. “Eu sou a moda brasileira” disse uma vez Zuzu Angel, e era, realmente. Zuzu fez de suas roupas um pós manifesto antropofá­gico concretizado, como presenciara a música com a Tropicália naqueles mesmos anos. A estilis­ta, além de incorporar elementos da cultura brasileira, a vestimenta de luxo, formatos, bor­dados e cores, foi a pri­meira a fazer política, a protestar através das suas roupas.

Depois de Zuzu e dos grandes costurei­ros parece que houve um vácuo na história da moda brasileira, apenas parece. Durante os anos 70 e 80 foram surgindo grupos de moda país a fora, de maneira a unir potenciais criadores, a fim de se estabilizar no mercado, as­sim nasceram o Grupo Moda Rio, o Núcleo Paulista de Moda e o Grupo Mi­neiro de Moda. Essa aglomeração foi uma prévia paras as futuras semanas de moda. Porém, não só de aglome­rações viveu esse cenário nos fins da ditadura mi­litar. Nessa época surgi­ram estilistas como Reinal­do Lourenço, Glória Coelho, Walter Ro­drigues e Clo Orozco, que viriam a ter grande destaque na mí­dia nacional. Enquanto isso, surgiam as primeiras escolas de moda no país, principalmente em São Paulo. No iní­cio dos anos 90 nascem destas, os “enfants terribles”, filhos de uma re­volução política e tecnológica e que revolucionaram a moda brasileira e a conduziu a novos caminhos. Dentre os jovens criadores na cena paulistana, o que mais se destacou foi Alexandre Herchcovitch. Aclamado pela impren­sa desde seu desfile de formatura na faculdade Santa Marcelina, em 1993. 20 anos depois, Alexandre é um dos poucos estilistas brasileiros a fazer su­cesso no mercado externo.

Com uma leva de estilistas sendo produzida em terras tupiniquins e uma economia que começava a dar sinais de prosperidade com o plano real, nada mais lógico do criar uma sema­na de moda. Assim nasceu, em 1994, o “Phytoervas Fashion”. O evento, considerado no calendário têxtil era mais uma espécie de premiação. Na primeira edição reuniu desfiles de no­mes já consagrados como Glória Co­elho e Reinaldo Lourenço e estilistas desconhecidos do grande público, que passavam por avaliações para terem a chance de participar do evento por 3 vezes consecutivas. O Phytoervas du­rou, porém, só até 1998 e já havia sido “substituído” por ouro evento de gran­de porte, o “Morumbi Fashion”, agora sim, uma semana de moda. Em 2001 o “Morumbi Fashion” se torna “São Pau­lo Fashion Week” e começa a mobili­zar o mercado interno e grande parte da América Latina. No ano seguinte é criado o “Fashion Rio”, a segunda maior sema­na de moda do país e que atrai milhares de compradores de todo o mundo com o chamariz da moda praia. A moda como manifestação cultural de uma identidade nacional se difundiu país a fora, surgiram outros grandes eventos do gênero por todas as regiões. O que era apenas uma apresentação de cole­ções virou um show e mais, aqueceu o mercado têxtil brasileiro, que apesar dos poucos incentivos fiscais que re­cebe, cresceu consideravelmente nos últimos anos.

Mariana Ramalho Zappa

Por: Mariana Ramalho Zappa

Mariana Ramalho Zappa estudante
de Jornalismo na Escola de Comunicação
da UFRJ, blogueira dona do
Grandma Stole My Closet e fã dos
Beatles

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