UFS: greve para quem?

- Carlos da Silva Soares - - 2 de julho de 2014 | - 9:50 - - Home » 14ª Edição» Mais Glória - - Sem Comentários

ufsDezembro de 2013. Uma manifestação com cerca de 100 mil pessoas sacode o ou­tro lado do mundo. Contra a privatização da rede ferroviá­ria e repressão de sindicalistas, um dos marcos da Guerra Fria entra em choque. A Coréia do Sul, país-símbolo em qualidade da educação, persegue e pren­de, em plena democracia, sin­dicalistas sob a justificativa de desestabilização da economia. Brasil, Sergipe. Pouco depois de uma greve em 2012, os pro­fessores da Universidade Fede­ral de Sergipe (UFS) paralisam as suas atividades. O que essas duas situações, a princípio tão distantes, têm em comum? A resposta, a bem da verdade, talvez esteja em algo que cir­cunda: a própria justiça.

Cadeiras postas nos por­tões, salas fechadas, atos de rua e extensas negociações com a reitoria e governo. Não fosse um elemento novo, essa greve seria igual a todas as ou­tras. Qual seja: a pauta local. Com um recuo inesperado do Sindicato Nacional dos Docen­tes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), a greve dos professores da UFS perdeu, por ora, a necessidade de ser nacional e se regionalizou. Para os grevistas, o que está em voga agora é a discussão extensa sobre as condições de trabalho na UFS e a certeza de que esse é um problema nacional.

Desde a implementa­ção do programa de Rees­truturação e Expansão das Universidades Federais (Reu­ni), em 2006, as universida­des públicas conquistaram um crescimento acentuado, acompanhado de um inchaço provocado pelo crescimento de cursos, criação de novos campus e contratação de pro­fessores sem que, para isso, houvesse um planejamento para atender as novas deman­das. Resultado: salas lotadas com acúmulo de tarefas exte­nuantes na pesquisa e extensão por professores; permanência de alunos frustrada pelas polí­ticas de assistência estudantil; todo o aparato de segurança da universidade comprometi­do, entre outros.

Dessa forma, e no bojo dessa problemática posta por uma expansão sem planeja­mento, os campus, principal­mente os mais novos, foram passando por um processo de precarização em veloci­dade acelerada. Lagarto sem a securitização de toda uma logística adequada para um campus de saúde; Laranjeiras pela incompreensão de sua integração com a comunida­de e de políticas de assistên­cia estudantil; Itabiana e São Cristóvão pelos problemas regionais que dialogam com uma política nacional de edu­cação que, segundo os grevis­tas, está em frangalhos.

Entre a Coreia do Sul e o Brasil, as armadilhas que se formam – e que muitas vezes indicam –, a partir do incons­ciente coletivo da desneces­sidade de uma greve agora, engendram uma questão central sobre a democracia que, no lugar de sobra que ha­bita, provoca mais questões do que respostas. No meio delas, assim, uma repercute com mais força: como pode um problema ser tomado como natural e um resistente ser tomado como criminoso?

Carlos da Silva Soares

Por: Carlos da Silva

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