Os negros de Porto da Folha-SE

- Eleomar Marques - - 11 de junho de 2014 | - 10:55 - - Home » 10ª Edição» Mais Glória» Povoados - - Sem Comentários

 pdfPorto da Folha é conhecida como a “terra dos galegos”, isto por conta da passagem holandesa pelo município. Contudo, muitos esquecem que a ri­queza da região também abrange ou­tras etnias: índios Xokó e os Negros do Pé da Serra ou os negros do Mocambo.

O quilombo remonta ao século XVI, formado supostamente, por negros oriundos de Pernambuco e Vale do Co­tinguiba, visto que, Sergipe era região de transição entre aquela província e a da Bahia. De acordo com a antro­pologia, devido ao porte físico, eram remanescentes dos grupos Bantu e Sudanês.

Sem norma ou hierarquia, sobre­viviam da caça, pesca e saques feitos na própria redondeza. Por se avizinhar com a Ilha de São Pedro, os negros muitas vezes se associavam aos índios para buscar proteção contra os inimi­gos em comum, o colonizador e pre­dador. Essa aproximação mais tarde, resultou em casamentos entre tais et­nias fortalecendo os laços de amizade.

A trégua contra os negros ocor­reu com a invasão holandesa, pois, eles não se envolveram com france­ses e/ ou holandeses como fizeram os Xokó. Contudo, para suprir o prejuízo deixado pelos holandeses em Sergipe, os colonizadores passaram a investir na busca dos quilombos para utili­zação da mão-de-obra. Assim como os índios, foram catequizados e tem como padroeiro a Santa Cruz, mesmo nome dado ao clube de futebol.

A luta pela terra é bastante an­tiga, desde a presença imperial na região em que visitou algumas casas dos negros, assim como prometeu aos índios a documentação das terras, também o fez com os Negros do Pé da Serra, mas, apenas os bugres foram contemplados, mesmo porque a notí­cia que chegara a Sua Majestade é que um negro por nome de João Mulungu andava atacando e articulando com outros quilombos ribeirinhos.

Patrimônio Histórico Nacional teve o reconhecimento das suas terras apenas em maio de 1997. A comunida­de abriga hoje aproximadamente 140 famílias que vivem da agricultura e ajuda federal. Apesar da tal conquista, o negro do Mocambo ainda sofre com o preconceito e vive de forma recata­da. Segundo dona Tânia Maria Couto, tesoureira da Associação Quilombola, os moradores são contrários à Trans­posição de Águas do Velho Chico e ainda reclama: “Aqui não tem médico e quando vem fica numa casa alugada pela prefeitura. Nós nos sentimos iso­lados”.

Esperamos que os quilombolas possam ser inseridos na sociedade de forma igualitária.

Eleomar Marques

Por: Eleomar Marques

Licenciado em História pela UFS e acadêmico de Direito pela mesma universidade. Estudante de Rádio e TV, SENAC/ CE (EAD). Professor da rede estadual de ensino de Sergipe e municipal de Porto da Folha/ SE.

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