O Homem e a História: Jose Canuto dos Santos

- Euvaldo Lima - - 19 de junho de 2014 | - 5:07 - - Home » 11ª Edição» Homenagens» Mais Glória - - Sem Comentários

canutoNo dia 19 de janeiro de 1908, no povoado do Bravo Uru­bu, município de Nossa Se­nhora das Dores/SE, nasceu José Canuto dos Santos, terceiro fi­lho da Sr.ª Fausta Francisca de Jesus. Caçula da família teve uma infância normal e ao chegar à maioridade in­gressou no serviço militar. Casou-se três vezes e ainda seria quatro se na hora do casório um ex-pretendente daquela que seria a noiva não tivesse convencido o vigário de que a primeira esposa do noivo ainda vivia e este não tivesse se negado a fazer a celebração. Com a primeira esposa teve quatro fi­lhos e devido aos destacamentos em várias localidades e como ele mesmo comentava que “naquela época a mo­bília de um soldado era uma esteira e um candeeiro” veio a separar-se. Já com a segunda teve três filhos e um veio a falecer junto com a genitora na hora do parto. Viúvo e com dois filhos para criar sua mãe veio em seu auxi­lio, depois da tentativa de casamento frustrada, conheceu aquela que seria sua terceira esposa e companheira por todo o resto da sua vida, a Srta. Diné­lia, vinte e três anos mais nova, a moça o encantou, casaram-se e tiveram dez filhos, um veio a falecer ainda peque­no, e aos nove restantes juntaram-se os dois pequenos do casamento ante­rior, e assim a família seguiu.

Como militar foi convocado para lutar na Revolução Constitucional de 1932, defendendo o Brasil contra os sulistas que pleiteavam a divisão do país, no campo de batalha, viu vários colegas tombarem, corpos passavam boiando no córrego em um quadro desolador. Por várias vezes foi tam­bém convocado para atuar nas volan­tes (investida militar em perseguição ao bando de Lampião). Em 1940 veio destacar em Nossa Senhora da Glória, depois de um tempo alcançou a pa­tente de tenente, e adotou de vez a ci­dade como sua. Aqui exerceu a função de delegado por um longo período. Em 1970, incentivado pelo compadre Filemon, candidatou-se a vereador pela ARENA, ficando na suplência. Pai amoroso, sempre preferiu utilizar-se de um bom sermão a usar a famosa palmatória, embora essa também surtisse efeito. Animado, festeiro, sempre respeitado pela sua conduta, e pela maneira como conduzia sua de­legacia, adepto da boa conversa e do conselho, evitava sempre as punições severas, mas não hesitava quando ne­cessário. Chegava ao ponto de algum delinqüente quando levados a dele­gacia dizer: -”Melhor passar a noite no xadrez do que ouvir os sermões do tenente Canuto”.

Episódio do Soldado Enlouquecido

Havia em sua delegacia um sol­dado conhecido por José, este quan­do bebia ficava “enlouquecido”. Certa feita, durante um leilão beneficente que ocorria na praça principal da cida­de, onde vizinhos, familiares e amigos estavam presentes o soldado “José” surtou devido ao consumo de bebi­da alcóolica e provocou um grande rebuliço. De posse de uma arma, dis­parou loucamente atingindo algumas pessoas que faziam parte do evento, deixando um saldo de dois mortos, dentre estes uma criança, e outros fe­ridos. Na tentativa de deter o insano, o tenente Canuto, tentou convencer o soldado a devolver a arma, usando de toda sua capacidade de dialogar, mas este ensandecido detonou o gatilho, que por sorte emperrou e não dispa­rou. O alvoroço se fez e o delegado se impôs e entrou em uma luta corporal na tentativa de desarmá-lo. Por conta do ato de coragem do tenente Canuto o soldado foi preso e encaminhado a um presídio estadual.

Em outro episódio, na tentativa de manter a ordem e defender “sua população”, chegou a ser ferido com uma peixeira no braço esquerdo e teve que ser levado as pressas para Aracaju. Exemplo de homem digno e de condu­ta inabalável, seu Canuto, como hoje é conhecido por remanescentes da ci­dade de N. Sra. Da Glória, é sinônimo de orgulho para toda a sua “enorme” família. Todos que tiveram o privilégio de conviverem com essa personalida­de não se cansam de citar fatos que expressam sua generosidade, simpli­cidade, senso de justiça, coragem e sinceridade que exalavam através da sua fisionomia e dos seus olhos verdes penetrantes.

Odevan Canuto e Nataly Canuto. Fonte de Pesquiza, Família Canuto.

Euvaldo Lima

Por: Euvaldo Lima dos Reis

Comerciante, Poeta Feiranovense, Esposo da Pedagoga Marta Maria da Silva Reis, divide com Deus a paternidade de quatro estrelas denominadas, LIZZE, BRIZZA, KAIPPE e KAIZZE. Autor do livro de poesia um sopro em versos, de dezenas de cordéis, participou das antologias, Retalhos, Unidos na Fé, e no mês 02/12, classificou 04 das cinco poesias num concurso no Tocantins á nível de Brasil, qual será publicada na antologia “Veloso 2012”, Foi um dos diretores da revista flash, membro das diretorias de diversos órgãos sociais voltados para o voluntariado na região, idealizador e diretor geral do projeto Revista Maisglória.

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