Limites e conflitos na adolescência

- Idegivânia dos Santos Silva - - 23 de Maio de 2014 | - 8:04 - - Home » 7ª Edição» Mais Glória - - Sem Comentários

adolescenteA relação com os filhos ado­lescentes faz parte de um processo que se inicia nos primeiros meses de vida da criança. A forma pela qual se estabe­lece o relacionamento com os pais desde a infância é que vai determinar o tipo de situação futura. Se desde pequena a criança acostuma-se a vi­ver sem limites, se os pais raramente dizem um não, se quando negam al­guma coisa não o fazem com seguran­ça, com convicção, enfim, se a criança está habituada a que façam tudo o que ela quer, se tudo o que ela desejar foi sempre concedido, se ela não apren­deu a dividir os direitos e os deveres provavelmente na adolescência ela repetirá esse modelo.

Alguns pais tendem a atender a todos os pedidos das crianças, para não frustrá-las, dizem sim a tudo, a brinquedos, passeios, programas, la­zer, não chegaram a sonhar com nada, a esperar por nada, não cogitam de onde vem o dinheiro que gerou esses bens, nem se os merecem. Assim elas crescem achando natural que aos 18 anos ganhem um carro e muitos são os pais que até mesmo aos 15,16 anos já lhes permitem dirigir mesmo contra a lei, sem carteira de habilitação, de for­ma que já há uma expectativa como se fosse um direito natural de ganhar as coisas. O mesmo se repete em termos de espaço dentro de casa, não se sen­tem membros de uma comunidade, de uma sociedade, sentem-se Senho­res, com todos os direitos e poucos ou nenhum dever, raramente se interes­sam pelos outros elementos da famí­lia, não ajudam, não dividem tarefas, nem sentem necessidade disso. O ide­al é que a democratização da relação dos direitos e deveres se inicie desde a infância, só assim será possível obter resultados satisfatórios.

Começar a estabelecer limites na fase da adolescência quando a estru­tura básica da personalidade, está for­mada e em que se institucionalizaram os hábitos de anos e anos de convivên­cia será muito difícil, mas não impos­sível porque os jovens são susceptível e sensível e para que isto ocorra tem que haver uma mudança primeiro nos pais, nas suas atitudes e crenças, numa tomada de consciência, numa revisão de valores, para então poder traçar objetivos. É preciso ainda que os pais estejam muito seguros sobre o que desejam mudar porque senão houver muita segurança os pais não terão armas, nem argumentos para enfrentar as reações que por ventu­ra virão, pois os filhos verão as novas medidas como retaliação, privação de direitos, autoritarismo.

O importante é compreender que eles agem assim não por serem “maus” ou por qualquer outro juízo de valor mas porque foi assim que apren­deram a viver e que cabe aos pais fa­zerem uma porção de coisas que pre­feririam não fazer, mas que fazem por saber que é o correto e o necessário.

Idegivânia dos Santos Silva

Por: Idegivânia dos Santos Silva

Graduada em Psicologia Clínica pelo Centro de Estudo Superior de Maceió (CESMAC), durante todo o seu percurso acadêmico e profissional esteve voltada para o trabalho com pessoas acometidas por sofrimento psíquico.

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