Leishmaniose Canina (Calazar)

- Janaina Ribeiro Silva - - 5 de Maio de 2014 | - 11:16 - - Home » 3ª Edição» Mais Glória» Vida Animal - - Sem Comentários

mosquiA Leishmaniose canina (conheci¬da como “calazar”) é uma do¬ença grave que acomete vários mamíferos, transmitida por um protozoário que tem o nome científico de Leishmaniachagasi infantum. O seu principal transmissor (vetor) é um inseto (flebotomíneo), da espécie Lutzomyia¬longipalpis, também conhecido como “mosquito palha”. O contágio em cães e no homem ocorre através da picada do inseto in¬fectado. Pela sua proxi-midade com o homem, o cão é considerado um importante reservatório do parasita e constitui o principal elo na cadeia de transmissão da doença. A Leishmaniose requer uma atenção maior, por se tratar de uma zoo¬nose (doença do animal transmissível ao homem) de fácil contágio, seja no meio urbano, seja na zona rural. A doença se de¬senvolve de forma cutânea ou tegumen¬tar, caracterizando-se por feridas na pele que não cicatrizam; e de forma visceral, atingindo determinados órgãos internos como o baço, o fígado e a medula óssea.

“A transmissão se dá através do mosquito que, ao picar um ser infectado (homem ou animal)…”

A transmissão se dá através do mosquito que, ao picar um ser infectado (homem ou animal), absorve o parasita (agente causador da leishmaniose) que se desenvolve na corrente sanguínea, provo¬cando a infecção após sete dias. Ao final deste tempo, quando o mosquito picar ou¬tro vertebrado (homem ou animal) para se alimentar, vai deixar o parasita no sangue deste, onde se reproduzirá e transferirá a doença, encerrando, assim, o ciclo. Sem o mosquito, não haverá transmissão. Por isso, o contato de um cão contaminado com outro sadio ou o simples contato do cão com o homem NÃO consti¬tui qualquer perigo de contágio da doença.

O período de incubação, isto é, da picada do mosquito ao aparecimento dos primeiros sintomas da doença, é muito variável, o que dificulta o diagnóstico (de 10 a 25 dias), podendo chegar a um ano ou mais. Os sin¬tomas para a de-tecção da doença são: queda de pelo, emagreci¬mento, vômitos, feridas persis¬tentes, fraqueza geral, unhas com crescimento excessivo e febre irregular. O animal que apresentar esses vestígios deve ser imediatamente clinicado por um especialista (médico ve¬terinário), mas a confir¬mação só pode ser feita através de exame de sangue.  Pontos importantes para considerar:

Um cão só infec¬tará novos mosquitos e estes, por sua vez, infectarão novos cães, na fase ativa e visível da doença, ou seja, na fase terminal, com feridas na pele, in¬fectadas com leishmânia.  O cão tratado com medicamentos é portador, mas NÃO infectante para os mosquitos, levando vida normal. A doença em humanos é controlável e muito menos perigosa do que nos cães. As pessoas que desenvolvem as formas mais severas de leishmaniose visceral são geralmente crianças ou pessoas imuno¬deprimidas, mas, mesmo nesses casos, há cura. O cão está menos protegido contra a leishmânia, daí serem os sintomas muito graves, acabando sempre por sucumbir o animal à doença, mais cedo ou mais tarde.

Os maiores disseminadores da leish¬mnia são os roedores, os animais selva¬gens e muitos dos que vivem na rua, pois estes não estão sujeitos a tratamento, como os nossos cães domésticos, e estão completamente à mercê dos mosquitos.  Até agora, as únicas formas de nos defendermos deste mosquito são: evitar áreas sujas, contendo matéria orgânica em decomposição; armazenar o lixo em saco¬las, até o seu devido descarte; usar coleiras repelentes a mosquitos nos animais, e pul¬verizar a área dos canis.  Quanto aos cães, a melhor forma de protegê-los é a vacinação. O diagnóstico da leishmaniose em cães aparentemente saudáveis é o ideal, pois o tratamento precoce aumenta consideravelmente a expectativa de vida do animal.  Hoje, com o avanço da medicina veterinária, já existem formas de tratamento para a leishmaniose. Portanto, não se considera mais a indicação de sacrifício do animal infectado.

Janaina Ribeiro Silva

Por: Janaina Ribeiro Silva

Médica Veterinária CRMV-SE 0229, email:janarsvet@hotmail.com

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