Homenagem à Eliza Vieira Santos Sobrinho

- Leunira Batista - - 27 de junho de 2014 | - 3:05 - - Home » 13ª Edição» Homenagens - - Sem Comentários

homenagem-13-edição-eliza-vieiraELIZA VIEIRA SANTOS SOBRINHO nasceu em 27 de junho de 1923, no Sítio Fortaleza, município de Nossa Senhora da Glória, Estado de Sergipe. Filha de João Francisco Vieira e Elixandrina Vieira dos Santos, Eliza teve oito irmãos.

Seus pais, muito preocupados com a instrução dos filhos, por não existirem escolas na zona rural, contrataram um professor conhecido por João Caboclo, para ensiná-los a ler e escrever, sem saírem da casa.

A escola funcionava à noite. Porém, mesmo diante dessa grande oportunidade, Eliza aprendeu pouquíssimo. Depois do casamento de seu irmão Manoel Francisco, conseguiu ser alfabetizada pela cunhada Cecília.
Os pais, temendo a crueldade dos cangaceiros comandados por Lampião, decidiram comprar uma faixa de terra bem próxima à cidade de Glória. Assim, Elixandrina acompanhada dos seus filhos, mudou-se para o citado local, hoje conhecido por bairro Silo. O pai, em louvor ao santo de seu nome, comemorava o São João, todos os anos, com: leilão de prendas, procissão, acompanhamento com zabumbas, sons de pífanos, violões e fogos de artifícios. Os tocadores dos mencionados instrumentos vinham do Sítio Quixaba.

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Junto, vinham os amigos. Um deles, José Batista Sobrinho, certa ocasião, arremata uma prenda do leilão e oferece à filha mais nova do Senhor João, a Eliza, que, à época, contava com apenas quatorze anos.
Em poucos dias, começa o namoro, mas a serenidade da menina-moça Eliza contrastava com o espírito festeiro do amado. Entre namoro e noivado, já se vão cinco anos, período excessivamente longo para a paciência do pai da noiva, que não conseguia mais simular desconforto com a situação.

Finalmente, em cinco de janeiro de 1942, com dezenove anos, Eliza realiza o maior sonho de sua vida, ao lado do “príncipe encantado”. Foi residir, como até hoje, numa casa de propriedade dos pais.

Para a alegria geral da família, não demorou muito a reconciliação do sisudo João Francisco com o genro que já começava a mostrar suas melhores intenções com a caçula do patriarca. Esta, com o esposo, enfrentou a vida com muita bravura. Lutaram e venceram. A inexperiente recém-casada ganhou forças, sabe-se lá de onde, e passou a constituir o braço direito do marido para cumprirem, juntos, a árdua missão de educar, nos mais rígidos princípios ético-morais e religiosos, uma numerosa prole de nove filhos. São eles: Alonço (in memoriam), Lenalda, Degenaldo (in memoriam), Leunira, Laudice, Divalter, Digivaldo, Dinaldo e Maria Luciene. Viúva, de conduta ilibada, Dona Eliza ostenta hoje uma trajetória recheada de virtudes que servem de espelho, não só para os descendentes, mas ainda para toda a sociedade gloriense.

O vigor físico e a solidez moral de que é possuidora ainda lhe permitem arrostar as adversidades do cotidiano. De forma simples e natural, sabe usar, na hora certa, o tom de voz adequado para as diversas situações. Sua casa sempre foi e continua sendo um lar aconchegante. Católica, transformou-se, ao longo do tempo, na “Madrinha Eliza” de algumas gerações. Costuma dizer que seus afilhados e compadres são dádivas de Deus.

Além de prendas do lar, exerceu a profissão de comerciante que começou logo depois do casamento e perdura até os dias atuais. Eliza é uma grande pessoa, comprometida com a verdade, honestidade, amor e alegria. Desempenha o papel de mãe e amiga. Não mede distância para dizer “sim” ou “não” aos filhos, no momento certo.

Em 1943, falece o primogênito, aos seis meses, deixando-a emocionalmente muito abalada. Mesmo com tamanho sofrimento, superou a perda. Em 09 de maio de 1990, a dor voltou a dominar seu coração. Com 72 anos de existência, mergulhou no silêncio da morte seu esposo, companheiro de todos os momentos. José Batista Sobrinho, meu pai, homem repleto de amor, compreensão e tantos outros valores. Foi depositando toda sua confiança em Deus, que ela conseguiu dominar a solidão.

Em 07 de julho de 1997, mais um rude golpe do destino. Partiu para a Casa do Pai seu filho Degenaldo, com 51 aniversários de vida. Novamente veio a tristeza apoderar-se do seu ser, deixando aberta uma lacuna em seu coração. Mesmo diante da saudade, da tristeza, dos obstáculos e dos problemas, Eliza Vieira Santos Sobrinho não desanima na arte de viver. O desempenho e a dedicação que tem mostrado, a cada dia de vida, fortalece a família por inteiro. Mulher de personalidade abundante, espelho de vida para os que a amam.

Leunira Batista

Por: Leunira Batista S. Sousa

Nascida na cidade de Nossa Senhora da Glória-SE, graduada em letras Português/Espanhol, Auditora Técnica de Tributos do Estado de Sergipe – Aposentada, escritora, poetisa e jornalista (nº1945 MTE-SRTE/SE). É imortal fundadora da ALAS-Academia Literária do Amplo Sertão Sergipano-ocupante da cadeira nº 03. Participação na Seleta do I Encontro Sergipano de Escritores, em 2013. Dedica a maior parte do seu tempo à leitura e à escrita.

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