Festejos Juninos

- Euvaldo Lima - - 4 de junho de 2014 | - 6:13 - - Home » 8ª Edição» Mais Glória - - Sem Comentários

 forroMuito embora comemora­das, também em outros estados da federação, sa­bemos que as festas juni­nas são consideradas típicas da região Nordeste, que por isso mesmo se des­taca na beleza, na criatividade, na ani­mação e principalmente, na duração dos festejos que se iniciam em final do mês de Maio e se arrastam durante o decorrer de todo o mês de junho, em grande parte da região nordestina.

Apesar de Nossa Senhora da Glória nunca ter se destacado em festejos da espécie, foi da tradição dos seus habi­tantes, durante muitos e muitos anos, prestarem uma homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro, acen­dendo fogueiras, ficando mastros, ex­plodindo fogos etc. Cuja ênfase maior sempre foi dada ao dia de São João. Assim é que praticamente, todas as famílias se preocupavam em acender uma fogueira na frente de suas casas e até em preparar comidas típicas, tipo canjica, pamonha, arroz doce, mugunzá e até mesmo um saboroso licor, para servirem às pessoas que por ali transitavam. A criançada queimava chuvinha, estrelinhas, espadas etc. E os mais afoitos, rojão, busca-pé, tra­ques, bombas e outros fogos da espé­cie, sem falar nas animadas quadrilhas que se apresentavam em praça públi­ca. Era uma alegria total.

ramonLembramo-nos, muito bem, que nos anos de 1985, 1986, e 1987, o Lions clu­be de Nossa Senhora da Glória, com o feito de preservar as nossas tradições juninas, promoveu um concurso, des­tinando troféus às ruas mais enfeita­das, mais animadas, com maior número de fogueiras e maior fogueira. O que vi­mos foi uma cida­de inteira criar gosto pelo assunto e se transformar em um imenso arraial, ex­plodindo de alegria e animação. Até as ruas da periferia se destacavam, não só na ornamentação, mas até mesmo no esmero e na criatividade. Crianças, jovens e adultos saiam de suas casas para festejar, coletivamente, a noite de São João.

De lá para cá, muitos anos se passa­ram e a cidade de Nossa Senhora da Glória tem evoluído a passos largos. Entretanto, não se tem demonstrado a preocupação em resgatar e conser­var as nossas tradições. Assim é que as festas juninas de hoje se limitam a quadrilhas isoladas, casamentos do matuto e aos festejos da Praça 15 de novembro, tudo isso antecipadamen­te. Das noites de são João, de outro­ra, apenas boas lembranças e grandes saudades. Com raríssimas exceções, nem mesmo fogueiras enfeitam mais as ruas.

As músicas típicas juninas, a exemplos do famoso forró pé de serra, dos baiões, dos xotes e tantas outras da espécie, já não são mais tocadas e nem dançadas, banidas que foram do repertório das bandas musicais modernas, descomprometidas com a preservação da cultura nordestina.

Para fins de reflexão, lembramos que povo sem cultura é povo sem história.

Lenaura Feitosa Aragão/Advogada

 

 

 

 

 

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 Saudoso Forró da Paz

É importante lembrar também, que o ano 2001 foi bastante so­frido em nossa região devido à escassez da chuva, onde a seca ci­catrizava todo o solo sertanejo, deixando o básico cada dia mais difícil em nossas me­sas.

Mas as tradições culturais ao menos em parte foram mantidas. Naquele ano, a diretoria da CDL Glória, tendo à frente o então presidente Genison Ferreira Melo, criou o memorável FORRÓ DA PAZ, que num esforço conjunto, comércio, Grupo de Boca da Mata e sociedade glorien­se, objetivavam além de oferecer um espaço a exaltar a beleza do autêntico festejo junino, fosse também reinado pela paz e solidariedade, que juntás­semos o maior número de alimentos para, de forma caritativa, chegar em forma de cestas básicas nos lares mais atingidos. Neste evento era oportunizada a apresentação de diversas expressões artísticas da dança, da música e da culinária regional, entre outros. As distribuições eram feitas atra­vés de parceria com o grupo de esco­teiro obedecendo a um cadastro por eles elaborado previamente. Lamentavelmente a seca se es­tende até nossos dias e o nosso Forró da Paz durou apenas mais um ano.

Artesanato

Como todo mundo sabe, uma boa festa sempre começa com a ornamen­tação e os enfeites. Com as tradições juninas não poderia ser diferente. Um dos pontos fortes do nosso município é o artesanato em couro. O artesanato na região, este mais voltado às tradições juninas, nos é revelado, quase que exclusivamente, pela confecção de vestimentas e orna­mentações de couro,

cujo trabalho é proporcionado pelos artesãos do cou­ro, como são conhecidos, pelo trato e cuidado com o qual tiram belíssimas peças dessa matéria-prima. Dentro das peças que são produ­zidas com esse material, as que mais se destacam são o gibão e o chapéu de couro. Este último ainda mais.

Não existe data certa da criação do chapéu de couro, segundo alguns estudiosos, acredita-se que devido a vegetação densa no interior do Brasil, mais especificamente no sertão, nas regiões mais secas e semiáridas, o ser­tanejo tenha inventado esse tipo de vestimenta para se proteger do raios solares, assim como dos espinhos na mata densa.

Manoel Barbosa da Silva, comer­ciante de Nossa Senhora da Glória, en­raizado na tradição das vaquejadas e dos grandes eventos durante as festas juninas, é reconhecido no município pelo seu talento ímpar, em trabalhar com esse material. O artesão realiza durante o ano, com trabalho e postura hábeis, a difícil tarefa de debruçar-se sobre o couro e tirar, desse material, chapéus e gibões, nos quais o manuseio e a confecção na lida, ou seja, no processo de produção, o faz bastante gratificado e orgulhoso.

Segundo o mesmo, aprendeu desde cedo a criar tais artefatos, os ensinamentos do seu pai, que tam­bém trabalhava com isso, ajudaram a passar a tradição por muitas gerações. “Eu adoro trabalhar com o couro. Mi­nha vida é essa, trabalhar fazendo chapéu e outras coisas a partir do cou­ro. Isso me faz feliz, eu sou feliz com meu trabalho”, enfatiza Manoel, satis­feito com sua profissão.

Euvaldo Lima

Por: Euvaldo Lima dos Reis

Comerciante, Poeta Feiranovense, Esposo da Pedagoga Marta Maria da Silva Reis, divide com Deus a paternidade de quatro estrelas denominadas, LIZZE, BRIZZA, KAIPPE e KAIZZE. Autor do livro de poesia um sopro em versos, de dezenas de cordéis, participou das antologias, Retalhos, Unidos na Fé, e no mês 02/12, classificou 04 das cinco poesias num concurso no Tocantins á nível de Brasil, qual será publicada na antologia “Veloso 2012”, Foi um dos diretores da revista flash, membro das diretorias de diversos órgãos sociais voltados para o voluntariado na região, idealizador e diretor geral do projeto Revista Maisglória.

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