Educa AÇÃO no sertão sergipano no início do século XXI

- Eleomar Marques - - 10 de junho de 2014 | - 11:54 - - Home » 9ª Edição» Mais Glória - - Sem Comentários

 escolaDe forma generalizada po­demos afirmar que a edu­cação pública no Brasil está sucateada. Não precisa ser especialista no tema para comprovar tal fato. Os meios de comunicação de massa exibem de maneira freqüente a situação do ensino público brasileiro. A educação pública em Sergipe não é exceção e, sobretudo, quando vol­tamos os olhos para o interior do es­tado, especialmente o nosso querido sertão. Ainda não conheci um trabalho de campo sobre a educação pública no sertão sergipano, contudo, minhas andanças e experiência in loco me dão juízo de valor para tecer comentários sobre a mesma.

Parece-me evidente que gover­nantes viraram e viram as costas para a educação sertaneja. Basta analisar quantos jovens migram do sertão para a capital sergipana em busca de uma educação de qualidade. Algumas es­colas públicas ainda subsistem com tí­mido status por conta dos abnegados mestres que em troca recebem a culpa pela péssima qualidade de ensino.

Mas o bastante curioso é que a maioria das autoridades políticas es­tudou em escola pública e hoje, no poder, as enxergam como obstáculos para qualquer administração. Ora, para eles o resultado desse investi­mento é em longo prazo, em média quatro anos, isso lhe custaria um mandato. É como se fosse para inves­tir em tubulações subterrâneas, era bom para a comunidade, mas muitos não viriam. Agora imagine investir no sertão! A capital normalmente é a vi­trine dos investimentos educacionais. Infelizmente até professores que ini­ciaram suas vidas públicas na sala de aula cortam abruptamente seu cordão umbilical com ela.

Com advento da Constituição de 1988, parecia que os ventos soprariam em favor da relegada educação, sim porque alguns artigos se direcionam a área educacional. Vejamos o que reza o artigo 205 da nossa Carta Magna: “A educação é direito de todos e dever do Estado….” E no artigo seguinte ainda reforça com o seguinte princí­pio: “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”. Este último artigo é flagrante na deso­bediência das autoridades no tocante às escolas sertanejas.

Pois bem, quero abrir um parên­tese para demonstrar que a escola pú­blica, ainda que no sertão, é possível, mesmo diante de tantos empecilhos. Eu me reporto ao Colégio Estadual Manoel Messias Feitosa, situado na cidade de Nossa Senhora da Glória, sertão sergipano. Este colégio recebe anualmente alunos de grande parte das cidades circunvizinhas. Mas logo surge a pergunta: é uma escola espe­cial? Diríamos que sim pelos seguintes motivos: tempo integral e equipe dire­tiva e, sobretudo, docentes engajados em prol da educação pública. Contu­do, quando se trata de estrutura físi­ca e valorização dos profissionais por parte dos governantes ela se confunde com as demais.

A escola em questão, além de aplicar condutas de cidadania, em 2009, foi a escola da rede que mais aprovou na única universidade pública do estado. Conquanto, vale ressaltar que não houve repercussão alguma na nossa Capital no tocante a esse feito. Mas para o sertanejo representou um marco importante porque quebrou a falácia de que sertanejo não é ca­paz de galgar algo no próprio sertão, e demonstrou que a escola integral é necessária e a valorização docente é urgente. Somado a esses fatores a gestão democrática seria imprescindí­vel para uma educação de qualidade.

Por isso, os sertanejos pedem AÇÃO por parte dos governantes e apoio da população civil. Sim, sabe­mos que o Colégio Estadual Mano­el Messias Feitosa sozinho não faz chover no sertão, mas, já fez brotar a esperança de que a escolha pública é possível em qualquer lugar desde que haja um olhar sério para essa área e isso já havia sido comprovado pelo velho mestre Paulo Freire (1921-1997).

Eleomar Marques

Por: Eleomar Marques

Licenciado em História pela UFS e acadêmico de Direito pela mesma universidade. Estudante de Rádio e TV, SENAC/ CE (EAD). Professor da rede estadual de ensino de Sergipe e municipal de Porto da Folha/ SE.

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