Depressão

- Idegivânia dos Santos Silva - - 30 de Abril de 2014 | - 12:23 - - Home » 2ª Edição» Mais Glória - - Sem Comentários

depressApontada atualmente como a quinta maior questão de saúde pública pela OMS (Organização Mundial de Saúde), a depressão é uma doença que mais tem gerado vítimas nos últimos anos. A enfermidade afeta cerca de 340 milhões de pessoas e é responsável por 850 mil suicídios ao ano, em todo o mundo. No Brasil, são cerca de 13 milhões de depressivos e a OMS indica que 75% das vítimas não recebem o tratamento adequado.
Geralmente oscilamos entre um estado de ânimo mais elevado e um mais baixo. Quem nunca acordou indisposto para uma atividade, ou nunca se sentiu eufórico com alguma boa notícia? No entanto, isso não costuma prejudicar nossas atividades diárias. Quando o indivíduo se fixa num desses polos, ou varia entre eles de forma muito brusca, a ponto de começar a prejudicar sua vida habitual, podemos falar em transtorno do humor ou transtorno afetivo.

A depressão é, portanto, uma doença afetiva ou do humor. Não é simplesmente estar na “fossa” ou com “baixo astral” passageiro. Também não é sinal de fraqueza, de falta de pensamento positivo ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço.
A depressão altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, como se sente em relação a si própria e como pensa sobre as coisas.
Outros sintomas identificados no CID-10 são: concentração, atenção e autoconfiança reduzidas; sentimentos de culpa e de inutilidade, visões desoladas e pessimistas acerca do futuro, ideias ou atos autodestrutivos, lesivos ou suicidas; dificuldades em relação ao sono e apetite.
Apresenta-se em diferentes graus, podendo ser leve, moderada ou grave, mais incapacitante em alguns casos, menos em outros.
A depressão, de modo geral, resulta na inibição global da pessoa, afetando a parte psíquica e as funções mais nobres da mente como: a memória, o raciocínio, a criatividade, a vontade, o amor, o sexo; além da parte física.
Quanto às causas, a depressão pode ser endógena, quando de origem interna, indefinida. O primeiro episódio pode se dar após alguma perda ou crise. Os outros geralmente não apresentam causas observáveis. De regra, é uma forma grave de depressão, apresentando grande risco de suicídio (10 a 15%). Entretanto, responde melhor ao tratamento medicamentoso.

A depressão psicogênica tem suas causas mais facilmente localizadas na história de vida do indivíduo, que apresenta fatos que o levaram aos sintomas. Pode ocorrer depois de uma situação estressante ou de uma perda: prejuízo financeiro, separação conjugal, morte de ente querido. Os sintomas são menos graves e o risco de suicídio é menor. Além disso, responde melhor à psicoterapia do que ao tratamento medicamentoso.
Finalmente, temos a depressão somatogênica causada por fatores de alteração orgânica devido ao uso de alguns medicamentos ou drogas como: anfetaminas, anticoncepcionais, quimioterapia, álcool, crack, maconha e outros; como ainda doenças físicas: esclerose múltipla, derrame, hipotireoidismo, câncer, AIDS.
Também é comum o sentimento de fragilidade após uma situação estressante como: assalto, estupro ou sequestro.
A tristeza e medo tendem a desaparecer depois de um período, pois a vida vai “entrando nos eixos”, mas, às vezes, o paciente não consegue reagir e a tristeza evolui para depressão, principalmente quando já há predisposição para a doença.

Como foi dito, as formas de tratamento se dão através de terapia medicamentosa e/ou tratamento psicoterápico, após avaliação físico-psíquica indicada pelo psiquiatra. A terapia medicamentosa é a mais conhecida, porém uma das mais criticadas. É comum ouvir-se: “Eu não vou a médico nenhum para ele me mandar tomar remédio de maluco ou me deixar viciado”.

Tratando este problema superficialmente, poderíamos até achar estas colocações divertidas, se não fossem lamentáveis. Como profissionais de saúde, no entanto, não podemos ficar alheios a esta problemática. Acreditamos que a única maneira de combater as trevas da ignorância é acender a luz do raciocínio, exercendo nosso papel, pois esse medo de usar a medicação vem afastando grande parte da demanda, quando ainda num estágio menos grave do problema.

O tratamento psicoterápico é, na maioria das vezes, realizado por um psicólogo (podendo ser feito também por um psiquiatra) e seu objetivo é variável de acordo com o caso, mas, em linhas gerais, visa ajudar o paciente a retomar a um estado de equilíbrio pessoal. Poderá ser feito de forma individual, conjugal, grupal ou familiar.

Vale salientar que não há uma padronização para esses tratamentos, haja vista as peculiaridades de cada médico e considerando-se que, a depender da análise específica, poderá ser aplicada a terapia cognitivo-comportamental, psicanálise, psicodrama, interpessoal, etc.
Enfim, está deprimido(a)? Pode parecer-lhe que nunca sairá da sombra. No entanto, até a mais grave depressão pode ser tratada. Informar-se sobre as várias formas de lidar com a depressão, acerca das opções de tratamento, irá ajudá-lo(a) a escolher a que melhor se adapta à sua situação concreta e às suas necessidades.

Idegivânia dos Santos Silva

Por: Idegivânia dos Santos Silva

Graduada em Psicologia Clínica pelo Centro de Estudo Superior de Maceió (CESMAC), durante todo o seu percurso acadêmico e profissional esteve voltada para o trabalho com pessoas acometidas por sofrimento psíquico.

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