Conceição Parteira

- Edson Magalhães Bastos Júnior. - - 29 de Abril de 2014 | - 11:53 - - Home » 2ª Edição» Mais Glória - - 1 Comentário

Uma voluntária a serviço do dom materno

Dona Conceição Parteira na sala de sua residência

Dona Conceição Parteira na sala de sua residência

Mãe de sete filhos biológicos e três adotivos, mulher religiosa e lutadora, digno exemplo de brasileira nordestina, de coração e generosidade maiores do que sua estatura física, incapaz de expressar um não a quem quer que fosse, principalmente aos que necessitavam do ofício que, de forma magistral, exercitou durante sua passagem terrena.
Era prestativa não apenas para com as suas conterrâneas glorienses, mas para todo o sertão sergipano e além fronteira.
Conforme relatos de seus parentes, amigos e beneficiados, fora um anjo do Senhor a serviço das criaturas. Com a maleta mágica cheia de “ciência” e o coração transbordante de fé, mantinha-se permanentemente pronta para dar a vida pelas vidas que clamavam por vida.
Toda a comunidade nos confirma que para Dona Conceição Parteira, nem a chuva, nem o sol, nem os mitos da meia-noite nas estradas marcadas por histórias assombrosas,nada a impedia do exercício de suas funções, independentemente de onde ou para quem quer que fosse.
Muitas parturientes, após enfrentar sol escaldante ou forte temporal, nem se dirigiam ao Hospital Coração de Jesus (hoje Asilo); ora pela urgência, ora pela falta de conduções adequadas, ora pela superlotação da unidade de saúde. Assim, davam à luz seus bebês na própria residência da Dona Conceição que lhes “dava alta” com muita segurança.
Não nos foi possível chegar ao número exato de partos por ela efetuados, mas é sabido que foram milhares, principalmente em todos os povoados das cidades de Nossa Senhora da Glória e Monte Alegre de Sergipe, em meio século de voluntariado, a serviço da vida, dormindo e se alimentando de forma precária. Quando interrogada, dizia que sua casa era o mundo e que estava sempre pronta para os imprevistos que a vida lhe proporcionava.
Aquela sacerdotisa ouvia no choro dos recém-nascidos a mais comovente das melodias, o que a motivou a empreender viagens por nossas estradas, becos e veredas, nos mais diversos e rústicos meios de transporte; do meado ao final do século passado.
De seus pais, Pedro Antônio dos Santos (Pedro de Dunda) e Maria Alves dos Santos, herdara a disciplina e a religiosidade.
Seguindo a tradição dos seus genitores, realizava anualmente a festejada novena em honra de Nossa Senhora da Conceição, terminando no dia consagrado à Santa: 8 de dezembro, quando comemorava seu aniversário, apesar de nascida em 25 de janeiro.
Tal evento invadia as ruas de nossa cidade, chegando a ultrapassar a marca de 2.000 fiéis que rendiam graças a Deus pelas graças alcançadas.
A animação da festa ficava por conta da banda de pífanos sempre com os mesmos integrantes, destacando-se entre eles o saudoso Juvino Medrade dos Santos, grande músico e pai de Maria de Nestor. Invariavelmente encerrava-se com um leilão de prêmios doados por seus beneficiados e a renda era revertida em benefício de famílias carentes da região.
Em nome das mães de toda a região do alto sertão sergipano, agradecemos a essa senhora o cuidado que teve em viabilizar a nossa chegada a este plano terreno.
Por fim, carinhosamente agradecemos aos parentes e amigos da homenageada, pela disponibilização dos dados necessários à confecção deste texto. Um agradecimento especial ao nosso amigo e admirador da Vovó Conceição, o empresário da Super Banda “Maçã com Mel”, o músico que sempre colabora com projetos literários e artísticos em geral: ODAIR MEDEIROS SANTOS.

Nossa obstetra casou-se com Zé Negrão de quem veio a separar-se. Posteriormente, contraiu novas núpcias com Manoel (conhecido por “Seu Bonzinho”). Como o primeiro esposo “partiu antes do combinado”, como diria Rolando Boldrin, a ex-esposa convenceu “Bonzinho” a fazer o funeral e velatório na residência do casal. Talvez para fazer por merecer o apelido de “Bonzinho”, este autorizou Dona Conceição a tomar todas as providências necessárias às exéquias.

Fonte: Odair Medeiros Santos (Neto) demais parentes e amigos da homenageada.

Edson Magalhães Bastos Júnior.

Por: Edson Magalhães Bastos Júnior

Graduado em Geografia Licenciatura (2003) e Geografia Bacharelado (2006) pela Universidade Federal de Sergipe e Especialista em Geotecnologias pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Sergipe (2007). Atualmente é Técnico em Reforma e Desenvolvimento Agrário, no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, em Sergipe. Ademais, desenvolve atividades na área de Geotecnologias, nos seguintes eixos: Cartografia Digital, Sensoriamento Remoto, GIS e WebGIS (Webmapping). Atualmente coordena a Diretoria de Geografia e Cartografia da Superintendência de Estudos e Pesquisas, na Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (SEPLAG/SE). Participa do Grupo Espírita Luz e Caridade, de Nossa Senhora da Glória, estuda música, Flauta Transversal, ama Rosana e sua princesa, Hannah.

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Para: Conceição Parteira

  • Maria Jose

    Que legal esta homenagem. Em minha cidade , Cristinapolis, também temos uma parteira do lar. Posteriormente foi trabalhar na matentidade tal era seu grau de conhecimento. Dona Neneca. Eu fui das que nasci em casa amparada por ela bem como milhas duas irmãs mais velhas. Isto há mais de 40 anos. Parabéns a estas heroínas.