Celino e uma história

- Vieira Neto - - 14 de Maio de 2014 | - 1:56 - - Home » 5ª Edição» Mais Glória - - Sem Comentários

Celino

Celino

Esta edição da revista MaisGló­ria homenageia um homem simples que fez do esporte sua segunda vida em sua passa­gem terrena. Jucelino Brasiliano da Costa, ou sim­plesmente “Celino”, nascido na “Capi­tal do Sertão” em 1946, como muitos de nossos conterrâneos, foi, ainda novo, juntamente com seus pais (Bra­siliano e Odete) tentar a vida no sul do País, costume frequente naquela épo­ca, devido à falta de chuvas na região. Cresceu juntamente com sete irmãos na cidade de Paranapanema, ajudan­do seus pais no cultivo de amendoim e algodão que mantinham em um lote alugado. Aos oito anos, nosso home­nageado já mostrava habilidade com a bola nos pés e atraía a atenção de di­versas pessoas nas redondezas. Esco­la quase não frequentava, pois seu pai não permitia, fazendo com que ele e seus irmãos crescessem sem aprender e, assim, reduzidos a semianalfabetos.

A situação da família começava a melhorar, já que seu pai comprara dois lotes na cidade de Fátima, no estado do Mato Grosso e para lá foram morar e crescer de vida. Bom de bola e em fazer amiza­des, Celino por onde passava encanta­va a todos com seu jeito simples, mos­trando que a amizade era um grande dom que Deus lhe dera. Convidado para atuar em di­versas equipes da vizinhança, Celino atuava, em domingos alternados, em cada uma delas, a fim de conhecer sempre mais pessoas. Aos 23 anos, conhece e casa-se com Aparecida, uma paulista com quem decide viver sua vida. Do matri­mônio nascem dois filhos (Zé Nilton e Luciano), para a alegria da família.

Depois de muita luta e ajuda de amigos, consegue seu primeiro em­prego com carteira assinada, isso com 27 anos. Um sonho, pois era através deste que viria o sustento da família. Assim como acordar depois de um descanso, foi a passagem desse sonho. Meses depois, devido a pro­blemas na tireoide, foi hospitalizado e consequentemente proibido de exe­cutar seu trabalho, resultando na apo­sentadoria por invalidez. Aposentado, ainda jovem e jo­gando muito, foi convidado por diver­sas equipes para compor seus elencos. Entre elas, podemos destacar o Glória de Dourados e o Santos de Caeira, uma das mais queridas de Celino.

Com tantos jogos e reuniões para melhorar o esporte de sua cidade, Ce­lino organizava rifas, bolões e marca­va jogos na esperança de alavancar o futebol amador. Com isso, a esposa começou a ficar enciumada, pois nos­so homenageado dispunha de pouco tempo para prestar assistência à famí­lia. E foi esse mesmo ciúme que pro­vocou a separação do casal em 1982. O acordo entre eles foi simples: ela ficou com os bens adquiridos e ele com os dois tesouros de sua vida: os filhos. Em 1983 volta a sua terra natal com os filhos e uma determinação: re­construir sua vida. Novos amigos, an­tigos amigos, família, todos estavam de braços abertos para recebê-los.

Anos se passaram e o gosto pelo esporte só crescia. Juntamente com amigos, decide criar uma equipe para brincar e passar o tempo. O nome da agremiação foi inspirado nas equipes de Pelé e de sua predileta de Caeira, Santos. Com o passar do tempo, o time consolidou-se e passou a ser um dos principais da cidade, tornando-se imbatível por longo período. Muitos queriam jogar no Santos e outros der­rotar a equipe de Celino.

O sonho daquele rapaz que cres­cera fora de sua terra natal, come­çava a se realizar. De brincadeiras a jogos oficiais, o Santos foi crescendo, as revelações aparecendo e atraindo atenção de outras equipes. Diferen­temente dos dias atuais, antigamente não se pensava em seguir “carreira” no futebol e muitas das revelações não “vingaram”. Lembrar Futebol Ama­dor em Glória, sem associar o nome de Celino, não tem como. Homem humilde que, com seu sorriso con­tagiante, transformava o momento ruim em alegria. Em 2006, nosso ho­menageado subiu para criar uma equi­pe de “Santos” no Céu. A equipe do Santos que ele formara, desde o dia do seu desencarne, deu um “tempo”. Mas será que de onde ele estiver, não ficaria mais contente se os amigos e filhos, continuassem seu trabalho? Fica a interrogação.

“Celino não morreu definitiva­mente: ele continua vivo no coração de todos nós”

Vieira Neto

Por: Vieira Neto

nome que lembra o esporte de nossa terra. Esse mesmo esporte que é divulgado e respeitado por um jovem que de uma brincadeira, começou sua grande jornada em contribuição ao crescimento esportivo de nossa região.

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