Cartografia e Geoinformação. Afinal, pra que servem os mapas? #4

- Edson Magalhães Bastos Júnior. - - 27 de junho de 2014 | - 3:02 - - Home » 13ª Edição» Cidadania e Ambiente» Mais Glória - - Sem Comentários

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Nos currículos escolares, em maioria esmagadora dos casos, fica a cargo do profissional da Geografia a tarefa e a missão de formar alunos capazes de responder à pergunta que batiza esta série de artigos sobre cartografia e geo informação. Apesar dessa antiga e forte relação entre Geografia e Cartografia, há no Brasil um “mito” para com o ensino da Cartografia em sala de aula. Os alunos apresentam grandes dificuldades na compreensão de como e porquê os mapas são produzidos. Por outro lado, os professores também possuem o receio de aprofundar o ensino dessas técnicas e conceitos, se concentrando apenas na apresentação e leitura de mapas temáticos, quando, no máximo, apresentam os elementos que o compõem. Explicar a relação de escala e distância real, com um mapa vetorial ou “desenhado” é extraído a partir de fotografias aéreas e imagens de satélites, como os Sistemas de Posicionamento por Satélite, popularmente conhecidos como GPS, são utiliza-dos para construir mapas, se tornam ensinamentos marginais e ocultos que poucos tem o privilegio de aprender e repassar.

E qual a causa dessa exclusão? Bom, essa é uma pergunta da qual não podemos afirmar precisamente a razão, mas há indícios. O primeiro deles é o embate (nem sempre saudável) existente entre várias correntes científicas dentro Geografia. Crítica, quantitativa, teórica, experimental, social, cultural, regional, dentre outras são denominações que aprendemos nos primeiros anos de Universidade, e nos acompanham pelo resto da vida profissional, influenciando diretamente a nossa afinidade ou não com a Cartografia e a Geo informação. O que nos leva ao segundo indício. A depender da teoria dominante na formação do currículo da disciplina, alguns conhecimentos ganham mais destaque e outros são menos valorizados. Por exemplo, se a Geografia é considerada mais “crítica”, ou mais “social”, no currículo da disciplina toda parte referente ao uso de técnicas e métodos de estatística e cartografia, associado à informática, quase sempre é desprezado. O contrário também acontece. Quando a Geografia é considerada mais técnica, mais quantitativa, costuma-se desprezar a necessidade de conhecimentos como Filosofia, Antropologia e Sociologia.

Por esta razão, os conteúdos de Carto-grafia e Geo informação durante muitos anos, não apareceram com força nos currículos de todas as universidades brasileiras, e por isso ainda há muitos professores e até mesmo bacharéis em
Geografia que se formam sem adquirir essas habilidades.Mas, esse cenário também começa a mudar. Em Sergipe, a reformulação dos currículos abriu espaço para a entrada dessas disciplinas mais técnicas e das Geotecnologias que chamamos de instrumentais de análise da Geografia. Mas isso não é o bastante. O terceiro indício é o descolamento existente entre o global e o local na hora de estudar e aprender sobre o mundo a partir da Cartografia. Muitas vezes um aluno brasileiro da região nordeste aprende sobre a rede ferroviária indiana e a força dessa modalidade de transporte no país, sobre os alpes suíços, sobre o monte everest, sobre o deserto do atacama, sobre a superpopulação de Nova Deli, mas não conhece a rede viária de seu próprio município e os impactos dela no sustento das famílias que vivem do campo, incluindo a dele mesmo. Quando muito conhecem apenas a estrada que toma de volta pra casano ônibus da escola. Essas situações, obviamente, afugentam o ensino da Cartografia nas salas dos ensinos fundamentais e médio.

Mas, graças ao desenvolvimento tecnológico e reformulação das grades dos cursos de Geografia (não seria uma natural consequência e adaptação necessária a esse desenvolvimento?) aliado a popularização da informática e internet, a Cartografia, ou melhor, a Geoinformação está passando de mito para moda. É muito comum alunos em sala de aula manipulando celulares ligados a “net” e olhando suas redes sociais, pesquisando o que fazer no fim de semana, onde ir e como chegar. E isso, que poderia ser um entrave para o professor em sala, se tornou uma oportunidade de ouro para o professor de Geografia, ao menos no momento do ensino da antes temida Cartografia! Sites como o “google maps”, “bing”, “facebook”, pode ser o ponto de partida para termos alunos mais conscientes do seu próprio ambiente em que vive e críticos sobre a maneira como ele é produzido. Mas, para isso, a interação tem que vir acompanhada de estratégias e estruturas mínimas para que professor e aluno obtenham o sucesso pleno. Estamos falando das oficinas, ou aulas práticas, que por sua vez necessitam de laboratórios de informática conectados a Internet e com aplicativos que ensinem sobre os mapas de forma mais leve, fluente e didática. Um projetor com acesso a internet para o professor ajuda muito.

Assim, a Geoinformação passa a ser algo mais prazeroso, moderno e próximo a linguagem do aluno que muitas vezes tem sede em aprender, mas não é atraído pelos métodos mais tradicionais. Navegar por mapas que mostram imagens de satélite das ruas da sua cidade, que possibilite fazer trajetos escola-casa, ou sites que permitam construir mapas em tempo real (conhecidos tecnicamente como WebGis), utilizando diferentes tipos de temas, como econômicos e sociais ajudam na quebra desse mito e na domesticação desse monstro chamado Cartografia.

Autores: Edson M. Bastos Júnior, Walter Uchoa Dias Júnior, Matheus Ribeiro Costa.

Edson Magalhães Bastos Júnior.

Por: Edson Magalhães Bastos Júnior

Graduado em Geografia Licenciatura (2003) e Geografia Bacharelado (2006) pela Universidade Federal de Sergipe e Especialista em Geotecnologias pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Sergipe (2007). Atualmente é Técnico em Reforma e Desenvolvimento Agrário, no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, em Sergipe. Ademais, desenvolve atividades na área de Geotecnologias, nos seguintes eixos: Cartografia Digital, Sensoriamento Remoto, GIS e WebGIS (Webmapping). Atualmente coordena a Diretoria de Geografia e Cartografia da Superintendência de Estudos e Pesquisas, na Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (SEPLAG/SE). Participa do Grupo Espírita Luz e Caridade, de Nossa Senhora da Glória, estuda música, Flauta Transversal, ama Rosana e sua princesa, Hannah.

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