Cartografia e Geoinformação. Afinal, pra que servem os mapas? #1

- Edson Magalhães Bastos Júnior. - - 10 de junho de 2014 | - 11:57 - - Home » 9ª Edição» Mais Glória - - Sem Comentários

 mapaImagine que você está planejando uma viagem de férias ou de ne­gócios, e você mesmo será o mo­torista. Você nunca esteve nesse lugar antes e não conhece o caminho. O que fazer? Agora imagine outra si­tuação: você vai oferecer uma festa para centenas de amigos e parentes e o lugar escolhido foi aquele sítio ou xácara situada lá “detrás da Serra”. Nem todo mundo conhece o caminho, que por sinal é cheio de idas e vindas, bifurcações e encruzilhadas, e, claro, você não quer que ninguém se perca! Como resolver isso? Agora você é um profissional que está trabalhando na implantação de uma nova avenida na sua cidade, e esta avenida vai cortar uma área de antigas moradias e casas comerciais, além de uma área coberta ainda pela mata nativa típica da re­gião. Você terá que pensar bem como essa nova obra pode ser feita para que cause o mínimo impacto negativo ao ambiente em que vive a população local. Como você conhecerá melhor esta área para projetar corretamente o novo eixo de logradouro? Pra encer­rar nossa viagem imaginária, imagine que você é um professor ministrando aulas sobre hidrografia e precisa apre­sentar aos alunos como os rios brasi­leiros se organizam em rede, ou ainda trabalhar com os alunos o sistema de hidrelétricas existente no país. Como tornar o assunto mais digerível, mais claro e atraente?

Todas essas situações apontam para a mesma realidade. Queiramos ou não, os mapas e a Cartografia, que é a ciência que os estudam e a arte que os produzem, estão por toda parte em nossas vidas, e desde o surgimento das civilizações humanas, eles eram um retrato do mundo conhecido. Se por um lado, o seu surgimento está historicamente ligado à dominação entre os povos pela posse da nature­za (água, comida, terras, riquezas), por outro, vivemos atualmente uma popularização dos mapas, proporcio­nada pela revolução tecnológica da informática e da computação. Qual­quer pessoa que tenha um computa­dor ou gadgets como tablets e smar­thphones, por exemplo, com acesso à internet, pode consultar mapas on­line (Google earth, Bing Maps, Open Street Map) e interagir com os dados para produzir e compartilhar novas informações de interesse. Além disso, as redes sociais estão incorporando cada vez mais essa ideia. O facebook e o Google Plus, por exemplo, ofere­cem ao usuário a opção de indicar sua localização geográfica em tempo real (check in). Atualmente a Cartografia está ligada a outra área do conheci­mento, denominada “Geoinforma­ção”. De modo bem simples, a Geoin­formação é toda informação que pode ser conhecida a partir de sua localiza­ção, extensão, forma e comportamen­to; mas também é um termo utilizado para designar toda tecnologia (GPS, Satélites, aeronaves com câmeras fo­tográficas, equipamentos de topogra­fia, aplicativos de computação gráfica, etc), e as formas de operá-la para pro­duzir e compartilhar dados e informa­ções através de um mapa.

O leitor pode estar se pergun­tando: tecnologia, redes sociais, mapas…“mas o que isso tem a ver com cidadania e ambiente?” Bem, o fato é que cidadania muitas vezes não passa de um jargão popular incompreendi­do, e envolve várias questões, dentre as quais o conhecimento da realidade ambiental em que se vive. E quando falo ambiental, não me refiro apenas àquela natureza “dos rios, das matas, da poluição”. Ambiental envolve to­dos os aspectos da vida em sociedade e como essa sociedade transforma o ambiente em que vive. Se antes os mapas eram algo produzido exclusiva­mente por militares e cientistas, hoje a Cartografia e a Geoinformação ser­ve à população como instrumento de compreensão da realidade e de cons­cientização dos direitos e deveres na organização da vida comunitária.

Dito isto, esse texto inaugura uma série de publicações que trarão aos leitores um pouco mais sobre o mundo da Geoinformação. Como es­ses instrumentos tem sido utilizados para o planejamento do desenvolvi­mento das cidades, um movimento que está promovendo mudanças so­ciais na forma como as pessoas veem sua própria aldeia nessa grande aldeia global chamada Terra.

Edson Magalhães Bastos Júnior.

Por: Edson Magalhães Bastos Júnior

Graduado em Geografia Licenciatura (2003) e Geografia Bacharelado (2006) pela Universidade Federal de Sergipe e Especialista em Geotecnologias pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Sergipe (2007). Atualmente é Técnico em Reforma e Desenvolvimento Agrário, no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, em Sergipe. Ademais, desenvolve atividades na área de Geotecnologias, nos seguintes eixos: Cartografia Digital, Sensoriamento Remoto, GIS e WebGIS (Webmapping). Atualmente coordena a Diretoria de Geografia e Cartografia da Superintendência de Estudos e Pesquisas, na Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (SEPLAG/SE). Participa do Grupo Espírita Luz e Caridade, de Nossa Senhora da Glória, estuda música, Flauta Transversal, ama Rosana e sua princesa, Hannah.

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