Agropecuária também é importante

- Valmor Ribeiro Aragão - - 15 de agosto de 2016 | - 3:44 - - Home » 18ª Edição» Mais Glória - - Sem Comentários

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Comumente políticos e grande parte da sociedade brasileira colocam como prioridades para atendimento de suas satisfações pessoais a educação, saúde e segurança pública, esquecendo-se de que a agropecuária é igualmente importante e, por isso, não deve ser deixada de lado ou simplesmente esquecida. Talvez não tenham a sensibilidade e/ou entendimento da importância social, econômica, política e ambiental que assume a mesma em todo o mundo, pelas inúmeras utilidades proporcionadas ao homem e animais, dentre elas a sua função básica e primordial – o “suprimento alimentar”. Para citar, como um simples exemplo da sua importância, nos países europeus quando alguma greve é deflagrada por qualquer categoria profissional, convocam-se, de imediato, os produtores rurais, porque os governantes temem o desabastecimento de alimentos, causando grandes transtornos a população, redundando em prejuízos de ordens diversas, diferentemente do que ocorre no Brasil, principalmente no Norte e Nordeste, dado a pouca organização dos produtores, individualismo, bem como na sua maioria dependentes de lideranças político-partidárias, dentre outras. Mas, falando-se da necessidade de valorização agropecuária e produtores rurais, pode-se afirmar que em Sergipe as ações direcionadas para a atividade agropecuária, não são tão claras, mas permite visualizar que seguem o caminho do “assistencialismo”, que pouco ou nada contribui para o fortalecimento da unidade de produção e desenvolvimento dos próprios produtores. Toma-se aqui como referência a mais importante bacia leiteira do Estado, localizada no Alto e Médio sertão sergipano, com produção estimada de 600 mil litros de leite/dia, gerando cerca de R$ 186 milhões/ano(R$.0.85 litro/leite), o que comprovadamente tem alavancado o crescimento e desenvolvimento desta região.Por outro lado, é notório que o estado não tem oferecido o apoio necessário a estruturação das unidades de produção e, consequentemente, estabilização da referida bacia leiteira, de forma a enfrentar os longos períodos de estiagem, que ocorrem com certa freqüência na região, reduzindo sempre a níveis críticos a oferta de leite, tendo como exemplos recentes, os anos de 2012,2013 e 2014. Que digam os produtores de leite das dificuldades enfrentadas, tendo que reduzir os seus rebanhos para saldar dívidas e não ter que ver seus animais combalidos pela fome e sede, levando-os a morte, alem da descapitalização, ocorrências estas que marcaram as suas mentes, diante de uma incessante labuta para assegurar a sua sobrevivência e a responsabilidade de produzir alimentos, para uma população cada vez mais crescente. Ressalta-se que muitas das vezes são conduzidos ao desestímulo, ou seja, de abandonar a atividade ou exploração leiteira, por não enxergarem ações estruturantes, por parte do governo, que possam, pelo menos, minimizar os danos econômico, social e ambiental causados pela seca.

valberto-aragaoComo se pode observar, o desenvolvimento da bacia leiteira do Alto e Médio sertão sergipano se deu, em parte, à custa dos próprios produtores, mesmo diante de tantos sacrifícios e intempéries, bem como de empreendedores que vislumbraram ali um potencial para o estabelecimento de uma agropecuária voltada para a produção de leite, principalmente. Por não serem dadas ou ofertadas as condições mínimas necessárias para a estruturação da unidade produtiva do semi-árido sergipano, principalmente aquelas voltadas para a produção de leite, (cerca de 90%), referida bacia, dada às condições climáticas prevalecentes poderá, em anos futuros, entrar num processo de desestruturação, já vivenciadas, onde perdas consideráveis por parte dos produtores foram acumuladas ao longo dos anos, admitindo-se que o velho ditado que diz: “o sertanejo é antes de tudo um forte,” não mais se adequa à realidade atual, passando, este conceito, a ser definido como: “o sertanejo é antes de tudo um sofredor”, inegavelmente..

Levando-se em conta as abordagens acima citadas, é necessário que os gestores públicos tenham, sobretudo, a vontade política e a consciência de priorizar em suas plataformas de trabalho, ações que possam ser efetivamente executadas, buscando o pleno desenvolvimento da agricultura, pecuária e dos próprios produtores rurais, dentro do contexto de igualdade com os demais setores. Caso contrário, como já vem ocorrendo, haverá a migração em massa do campesino para as cidades, onde hoje, no Brasil, a cada 100 pessoas, 30 vivem na zona rural, ficando esta, no curto espaço de tempo habitada por idosos, já que os filhos jovens jamais querem permanecer no campo ao analisar o “modus vivendus” de seus pais, ao longo de várias anos, acumulando sofrimento, humilhação, dependência, sem que melhores condições de vida lhes fossem proporcionadas, decidindo-os, assim, não suceder seus pais nas atividades agropecuárias buscando, fora da propriedade, novas oportunidades de trabalho, para permitir uma melhor recompensa financeira,através de serviços outros, para poder sobreviver, modestamente, nesta terra denominada Sergipe /Brasil.

Valmor Ribeiro Aragão

Por: Valmor Ribeiro Aragão

Eng. Agrônomo, Msc- Fitotecnia

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