A aventura de ser pai. Um caminho que se faz caminhando.

- Edson Magalhães Bastos Júnior. - - 5 de Maio de 2014 | - 11:03 - - Home » 3ª Edição» Mais Glória - - Sem Comentários

IMG_20120805_094604Hannah nasceu! Espero poder um dia compartilhar cada emo¬ção vivida nesse processo, se eu conseguir vencer o desafio de descrever o indescritível. Mas aproveitei os minutos em que ela dormia, antes de “soltar a voz nessa estrada”, para falar um pouco sobre a aventura de ser pai.
Como se costuma dizer por aí, uma ficha grande caiu no momento do parto, já que, por mais pré-natal que se faça, nada se compara ao Natal propriamente dito. É um capítulo novo tê-la “do lado de fora”. Novo ritmo, novas tarefas, nova vida. É engra¬çado como você experimenta sensações aparentemente contraditórias como, por exemplo, estar super exausto e, ao mesmo tempo, disposto a correr léguas a pé, por ela. E nada substitui você viver a mudan¬ça da “pergunta da vez”. A atual é tempe¬rada por um sorrisinho amarelo dos pais de segunda, terceira ou enésima viagem, que soltam: “E aí, está dormindo?”. Olho para mim mesmo, contemplo o momen¬to e, num sorriso de Monalisa, digo: “Não, mas que im¬porta? É a minha filha!”.

Durante esses dias, refletindo sobre tudo isso, percebo que não foi apenas Hannah quem nasceu. Nós renascemos, porque tudo muda, num círculo virtuoso em que “geramos a vida que nos dá vida”. Sei que muitas fichas vão cair ainda, mas esse ser de luz que a gente vê como um pedacinho de gente nos ensina a arte de cultivar o dia. Um de cada vez, já que o tempo não nos pertence. Eu gosto da metáfora do seme¬ador, e acho que expressa bem a imagem do ser pai. O semeador não pode garantir a florescência do gérmen, mas deposita seus sentimentos mais pu¬ros e o desejo de que aquele pequeno grão vença os limites do solo, encontre a luz, e continue em direção ao céu, espalhando bons frutos. Ser pai não é oferecer cura para todos os males do mundo, até porque quem disse que nós estamos com essa corda toda? Muitas vezes esses pequeninos vêm justamente para que nós floresçamos. Então, ser pai é como o médico que não oferece a cura, mas o cuidado, em forma de conhecimen¬to, carinho, amor e entrega, sem reservas.

Vou ficando por aqui. Afinal, quem se lem¬bra do comercial do creme Gelol, sabe que “não basta ser pai, tem que participar”; e isso inclui, além do programa básico do “macho provedor” (comida e roupa trazi¬da da “selva de pedra”), lavar, passar, co¬zinhar, trocar fraldas, dar mamadeira, bo¬tar para dormir, e começar tudo de novo, quantas vezes for preciso. É claro que nada disso seria possível, sem a ajuda da famí¬lia, pois ser pai também é renunciar uma pretensiosa, porém ilusória, auto-sufici¬ência e compreender que a criação é um ato comunitário, familiar e coletivo. Bem, já falei, ou melhor, já escrevi demais e ela está acordando. Está chegando a hora de comer de novo. Ou será a fralda? Não im¬porta. “É a minha filha!”

Hannah [in]verso
Não me lembro desde que momento
Mas recordo a espera desse instante
Te buscávamos em sonho e pensamento
Viajando nas imagens de um futuro
distante
Filho da imaginação e do tempo.
Nessas horas, as horas paravam de correr
Nos embalos de uma rede conversava
Embalando o sono e o sonho de te ver
Tua mãe era o pincel que te pintava
Com a tinta que vestia os olhos d’água.
Hannah
Tua mãe te chamou assim
Como estrela primeira da constelação
Abrindo caminhos sem fim
Para um sentimento sem descrição.
Por crepúsculos e auroras
Te sentíamos rondando nosso ninho
Como alguém que vem chegando de
mansinho
Com o desejo de ficar mais um pouquinho
Talvez pra sempre, mas ainda não era a
hora.
Até que um dia “o dia” chegou
“Eis você”, o trem da vida anunciou
Que, nascendo, nos morreu e renasceu
Reformando, colorindo, completando
Novo mundo tornou velho o que havia.
Hannah! És cheia de graça
Semente luminosa caída do alto
Que corações distantes entrelaça
Em laços que crescem a cada passo
Florescendo o jardim da nossa casa.
Seja a paz o teu escudo
A verdade, a tua espada
O conhecimento, o elmo
A luz divina, o caminho
O Amor, a tua jornada.

Edson Magalhães Bastos Júnior.

Por: Edson Magalhães Bastos Júnior

Graduado em Geografia Licenciatura (2003) e Geografia Bacharelado (2006) pela Universidade Federal de Sergipe e Especialista em Geotecnologias pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Sergipe (2007). Atualmente é Técnico em Reforma e Desenvolvimento Agrário, no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, em Sergipe. Ademais, desenvolve atividades na área de Geotecnologias, nos seguintes eixos: Cartografia Digital, Sensoriamento Remoto, GIS e WebGIS (Webmapping). Atualmente coordena a Diretoria de Geografia e Cartografia da Superintendência de Estudos e Pesquisas, na Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (SEPLAG/SE). Participa do Grupo Espírita Luz e Caridade, de Nossa Senhora da Glória, estuda música, Flauta Transversal, ama Rosana e sua princesa, Hannah.

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